Torta Capixaba de Bacalhau

Para quem não sabe ou não conhece o termo, eu sou “capixaba”, ou seja, natural do estado do Espírito Santo, no Brasil. Nasci na cidade de Vitória, a capital do estado, e morei entre Vitória e Vila Velha (cidade vizinha) até meus vinte e poucos anos. 

Na minha opinião, uma das melhores maneiras de conhecer um pouco sobre um lugar é pela comida local, e de todos os pratos típicos da culinária capixaba, dois estão sempre no topo da lista: a Moqueca Capixaba e a Torta Capixaba! Ambos são deliciosos, mas tenho que confessar que com relação à moqueca, acabei adaptando a minha versão com alguns elementos da moqueca baiana (do estado da Bahia, terra natal do meu marido) e quem quiser, pode conferir esse resultado fusion na receita da Moqueca ‘Baiaxaba’ 🙂 aqui no blog! 

E não posso deixar de mencionar o item mais característico da culinária capixaba: as panelas de barro, feitas artesanalmente, que são ótimas para o preparo desses dois pratos típicos (são próprias para uso no forno e no fogão) e dão um charme a mais na hora de servir a refeição.

De acordo com o Wikipedia, a Torta Capixaba é um prato típico brasileiro, característico da culinária do estado do Espírito Santo, tradicionalmente preparado em panela de barro, tendo como base o bacalhau e o palmito fresco, e adicionando frutos do mar, como camarão, sururu e siri desfiado. 

A torta capixaba tem influências da cultura portuguesa, indígena e africana. A origem do prato ultrapassa 400 anos (desde o século XVII), e ele é fruto, principalmente, das tradições de base católica de comunidades litorâneas e das vilas de pescadores, que consumiam o prato no período da Quaresma devido à abstinência do consumo de carne vermelha.

Dentre as várias receitas e pratos que tem lugar de destaque nas memórias da minha terra natal, essa torta ocupa um cantinho especial. Ela tem sabor de infância pra mim. Sabor de tradição, de família reunida, da comida da minha mãe e da minha avó. Sabor de “está chegando a Páscoa”, sabor de morar no litoral, de influência Portuguesa com toques afro-indígenas, tudo misturado com amor e perfumando a casa com cheiro de saudade.

Essa delícia é consumida mais frequentemente pelos capixabas durante Semana Santa (semana da Páscoa), e principalmente na Sexta-feira da Paixão, mas costuma estrelar nos cardápios de restaurantes tradicionais, vendedores de comida típica ou residências dos mais adeptos durante o ano inteiro.

A receita da torta que a minha mãe fazia foi herdada da minha avó materna e com o passar do tempo firmou-se como minha referência, sendo conhecida e requisitada nas reuniões de família. Essa versão foge um pouco da tradição porque não inclui os frutos do mar (fica a critério de cada um adicionar os mariscos de que goste), mas por outro lado tem a vantagem do preparo mais simples e rápido.

Então vamos lá! Depois de confirmar os detalhes com a minha mãe – era uma dessas situações em que não existia uma receita detalhada já escrita – e testar em casa, compartilho a receita abaixo. Espero que experimentem, gostem, e quem sabe essa receita se torne uma tradição de Páscoa (ou de outras reuniões familiares) para vocês também?

Se tiverem perguntas ou comentários, entrem em contato pelas nossas mídias sociais ou nos comentários abaixo. Obrigada!

Hellen | VivaHappy.com

Torta de Bacalhau (Torta Capixaba)

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Receita de família desse prato típico capixaba, clássico da Semana Santa e da Páscoa, mas tão fácil que pode ser feito em qualquer época do ano!
Tempo de Preparo 30 minutos
Tempo de Cozimento 40 minutos
Tempo Total 1 hora 10 minutos
Porções: 6 porções
Tipo de Prato: Prato Principal
Culinária: Brasileira

Ingredientes
  

  • 600 g bacalhau salgado demolhado
  • 500 g palmito fresco ou em conserva, picadinho
  • 1 colh. chá cravos secos torrados e moídos (ou a gosto) - opcional
  • 80 g azeitonas sem caroços, reserve algumas inteiras para decorar e pique as demais
  • 1/2 xíc. azeite
  • 6 ovos
  • 1 cebola em rodelas para decorar
  • sal e pimenta do reino a gosto

Equipamento

  • Panela de barro capixaba ou assadeira

Method
 

  1. Pre-aqueça o forno em 180°C (350°F). Ferva o bacalhau (já demolhado) por 6-8 minutos, deixe esfriar um pouco e desfie, retirando qualquer vestigio de pele, ossos ou espinhas.
  2. Enquanto isso, cozinhe o palmito fresco picadinho em água com sal por 2-3 minutos, escorra e esprema com um pano limpo para remover bem a água. Se for usar o palmito em conserva, não precisa cozinhar, apenas escorrer, enxaquar, picar e secar.
  3. Misture o bacalhau desfiado com o palmito preparado, as azeitonas picadinhas e o azeite. Tempere com sal, pimenta e o cravo moído (se for usar) a gosto.
  4. Separe as claras das gemas dos ovos. Bata as claras em neve (em castelo) até ficarem bem firmes. Tempere com uma pitada de sal. Junte as gemas, uma a uma, e continue batendo até incorporar. A mistura vai ficar leve, aerada e um amarelo clarinho.
  5. Junte 2/3 dos ovos batidos à mistura de bacalhau (já fria). Coloque essa massa em uma panela de barro (sem tampa) ou assadeira untada com azeite.
  6. Cubra a massa com o restante dos ovos batidos. Decore com rodelas de cebola e as azeitonas inteiras.
  7. Leve ao forno preaquecido para assar até ficar bem dourado por cima. Retire do forno e sirva.

Observações

  • Se quiser usar mariscos, eles devem ser temperados com sal, pimenta e suco de limão, e cozidos (fazendo uma 'moquequinha' com azeite, cebola, coloral e tomate) e escorridos antes de adicionar à mistura de bacalhau. Substitua uma parte do bacalhau ou adicione camarão descascado e limpo, sururu limpo e/ou siri catado. 
  • Se não encontrar (ou não quiser usar) o palmito, substitua por repolho picadinho (cozido em água com sal) ou por abobrinha (curgete) descascada e picadinha (salteada e escorrida).
  • Se quiser um sabor de temperos  mais pronunciado, pode refogar separadamente em azeite: 1 cebola grande e 3 dentes de alho picadinhos, depois adicionar salsinha ou coentros, e misturar ao bacalhau desfiado no terceiro passo antes de continuar com a receita. 

Crédito das imagens: A Gazeta

17 comentários em “Torta Capixaba de Bacalhau

  1. Obrigada por dividir a receita da sua família com a gente, experimentei pela primeira vez esse final de semana em um restaurante típico e adorei, daí, fiquei com vontade de reproduzir, procurei na internet e achei sua receita, vou fazer com certeza. 🙏❤️😘

    1. Oi Cirley, que alegria que experimentou a torta e gostou, e agora encontrou a nossa receita nesse cantinho na internet!
      Espero que faça sucesso e vire tradição na sua casa também. Obrigada pelo carinho e visita ao blog. Felicidades e gostosuras sempre! 🙂

  2. Ótimo post Hellen, hoje mesmo farei essa receita (será a minha primeira torta que farei 😁). Eu já experimentei todas, com mariscos (confesso que não gosto), com repolho e sardinha (pra quem não tem condições de comprar um bacalhau ou tipo), toda torta é válida desde que se faça com carinho e amor, compartilhando com familiares ou amigos. Obrigada por compartilhar a sua história. Sou capixaba nascida de Vitória também, moro em VV. Abraços, Feliz Páscoa!

    1. Oi Suzanne, fiquei super feliz de saber que escolheu essa receita para fazer torta capixaba pela primeira vez! Espero que faça tanto sucesso na sua casa como faz com a minha família ❤️
      Já experimentei várias versões também e sempre volto a essa, feita com carinho e amor, e sinto que minha avó é minha mãe ficariam orgulhosas. 😊
      Obrigada por visitar o site e por comentar aqui no post, conterrânea! Abraços e Feliz Páscoa!

  3. Sou capixaba de coração, moro no ES há mais de 50 anos. Aprendi a receita com a minha sogra, e após o seu falecimento comecei a fazer para a família. É tradição qui no ES a preparação da Torta Capixaba na Semana Santa, onde os vizinhos compartilham tortas entre sí, em um ritual que permanece a várias gerações.
    PS. A sua receita é ótima, apenas faltaram o alho e a cebola refogados no azeite.

    1. Oi Márcia, capixaba de nascimento ou de coração, o importante é que amamos esse estado lindo!
      Que bom que está continuando a tradição de semana santa da sua sogra com a sua família. Pra mim essa torta também tem sabor de boas memórias, da cozinha da minha avó e da minha mãe. Que esse ritual continue por muito tempo ainda!
      E sim, a receita da minha avó não incluía cebola e alho refogados, mas confesso que muitas vezes eu coloco também 😉 . Obrigada pela visita ao site e comentário, e uma Feliz Páscoa!

  4. A torta só é mesmo Capixaba se levar peixe, camarão, siri ou caranguejo desfiado e todos os mariscos.
    Qualquer outra, é invenção do cozinheiro que colocou nome Capixaba

    1. Olá Denise, eu sou capixaba e essa foi a receita que sempre comi na minha casa no ES, então é a minha referência – mas ninguém é forçado a fazer essa versão.
      Sei que não é a receita mais comum, e inclusive falo sobre isso no texto e menciono os mariscos que podem ser adicionados e como prepará-los para misturar ao bacalhau.
      Eu quis compartilhar a receita da minha família, e que também pode ser do interesse de pessoas que não comem mariscos por preferência, sensibilidades/alergias ou restrições religiosas, e para que ninguem deixe de fazer a receita por não ter ou por preferir não comer os mariscos. Um pouco de flexibilidade que pode ajudar mais pessoas a conhecerem esse prato delicioso!
      As receitas do site estão aqui para quem quiser seguir como estão escritas ou modificar a seu gosto.
      Um bom restante de dia e uma Feliz Páscoa. 🙂

    2. Eu sou capixaba e conheço as 2 vertentes , sempre existiu esses 2 tipos de receitas, e por sinal gosto das duas, mas prefiro a sem mariscos, apesar de gostar muito de frutos do mar.

      1. Oi Izael, além da tradição na minha família e de pessoalmente gostar muito de frutos do mar, conheço várias pessoas que não comem mariscos por diversas razões e também preferem essa versão. Então, vamos fazer a torta que encaixe melhor a cada preferência e comer com gosto! Obrigada pela visita ao site e uma Feliz Páscoa! 🙂

  5. 5 stars
    Torta Capixaba é a melhor e mais deliciosa comida do mundoooo!
    Quando ela está geladinha, no outro dia , os ingredientes ficam mais incorporados tornando- a ainda mais saborosa.

    1. Oi Andrea, como boa capixaba, eu concordo com você – Torta Capixaba é tudo de bom e fica ainda melhor no dia seguinte, mas o difícil é sobrar!
      Fico feliz em compartilhar a receita tradicional da minha família (desde a minha avó) com você. Bom apetite! 🙂

    1. Olá Emilia, para fazer sem mariscos, não precisa refogar. Mas se quiser o sabor mais pronunciado dos ingredientes que mencionou na torta, pode refogar separadamente alho e cebola, depois adicionar o coentro, azeitona, etc., e misturar na massa da torta. Eu faço um refogado geralmente só para a “moquequinha” de mariscos (não deixe que cozinhem demais pois ainda vão para o forno), e pode usar os temperos que preferir.
      Obrigada por visitar o blog e espero que a sua torta fique deliciosa! 🙂

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